FOTOGRAFIA DE PAISAGEM E NATUREZA
PARTE III
Fotografia com Flash electrónico
A maior parte das pessoas associa o uso do flash à fotografia de interiores ou de noite. Se bem que para estas situações acaba por ser a opção mais usual não significa que o flash seja para uso exclusivo nestas situações. Aliás muitas vezes o flash usado em exteriores/dia deve ser usado. Ou porque a luz é pouca, ou porque o contraste é muito, ou para congelar movimento, etc.
Infelizmente para a maioria das pessoas, o uso e especialmente o domínio do flash é complicado, quem começou a fotografar com unidades manuais sabe o quão frustrante pode ser usar um flash.
Felizmente, com o avanço da tecnologia e o aparecimento do TTL tudo isso mudou...
O ESSENCIAL DO FLASH
Para usar um flash é preciso perceber como é que uma maquina expõe uma cena (qualquer que seja a maquina; analógica ou digital). Pode ver o artigo anterior para mais detalhe mas para o caso interessa nos saber que temos à nossa disposição a ABERTURA DO DIAFRAGMA - que é o "buraco" por onde passa a luz que vai expor a película e a VELOCIDADE DO OBTURADOR, que é o tempo que esse buraco fica aberto.
Portanto a ABERTURA regula quanta luz chega ao filme (ou sensor) e a VELOCIDADE regula a duração que essa luz expõe a película (ou sensor)
FLASH MANUAL
Para regular o uso do Flash manual temos a ABERTURA e a DISTANCIA ENTRE FLASH E OBJECTO, que como o nome indica é a distancia física entre o flash e o objecto a ser exposto.
Antigamente para usar o flash focava-se a lente, a partir dai íamos a uma tabela normalmente gravada no próprio flash, onde tínhamos que procurar a abertura equivalente para aquela distância para determinado ISO. Isso era extremamente lento, irritante, e pouco amigável. Se a distancia se alterasse lá íamos nós outra vez à tabela para ajustar a abertura. Isto deve-se ao facto de o flash disparar sempre em potência máxima.
Essa DISTANCIA ENTRE FLASH E OBJECTO é importante por causa da potência do aparelho. A potência de um flash designa-se de Numero Guia (Guide Number) ou GN.
Quanto mais alto o numero mais potente o flash. Quanto mais potente o flash mais longe a luz pode viajar. Mas o que acontece é que esta luz quanto mais viaja mais perde essa potência. Na verdade perde imensa potência. Chamasse lei do inverso do quadrado. Diz qualquer coisa como que a luz perde potencia a uma escala inversa ao quadrado da distancia!?!...Em Português significa que o flash perde luz à brava!
Vou dar o exemplo do SB-26, que é o meu flash principal, que tem um GN de 50 (em metros).
Usando um filme de ISO100 para expor um objecto a 18 metros usa-mos uma abertura de f/2, para usar f/2.8 baixa para 13mts, f/4 9mts, f/5.6 6mts; f/8 a 4 mts; f/11 3mts; f/16 2 mts; f/22 1.4 mts, etc. Isto é uma perca de potência incrível! Mas é uma regra universal que temos que viver com ela.
FLASH TTL (TROUGH THE LENSE)
Grosso modo quando utilizamos o flash pode-se dizer que fazemos em simultâneo duas exposições: uma com a luz natural (controlada pela ABERTURA e VELOCIDADE DE OBTURAÇÃO) e outra com o flash (controlada pela ABERTURA e DISTANCIA DO FLASH AO OBJECTO).
Assim temos a ABERTURA como factor determinante para o controle da exposição
Com o TTL as coisas são necessariamente diferentes do flash manual. Eis rapidamente o que se passa com TTL:
Quando se prime o obturador o flash dispara, a luz bate no objecto e é reflectida em direcção à câmara, através da lente (TTL) atinge o plano a película onde processada pelo computador da maquina. Assim que o sensor acha que a luz é suficiente manda desligar o flash. Tudo isto à velocidade da luz. Ora a grande variação entre o flash manual e isto é que no TTL, a exposição correcta deixa de ser controlada pela DISTANCIA AO OBJECTO ou pela ABERTURA, mas simplesmente pelo desligar do flash! Qualquer que seja a abertura utilizada a exposição correcta é controlado por um "interruptor". Isto não quer dizer que a DISTANCIA AO OBJECTO e a ABERTURA deixem de ser importantes, mas apenas que são muito mais controláveis.
Com o TTL o computador da máquina faz a exposição correcta independentemente da ABERTURA ou da DISTANCIA AO OBJECTO (desde que estejamos dentro dos limites da capacidade do flash). Podemos escolher a ABERTURA que nos interessa para a Profundidade de campo necessária e não usar uma pré-selecionada pelo flash!
Muitos poderão perguntar porque é que a VELOCIDADE DE OBTURAÇÃO não influencia a exposição do flash. Simplesmente porque é muito lenta! A duração média de um disparo de flash é entre 1/1000 e 1/23000 de segundo! A luz do flash deve expor a cena num único disparo (bom isto hoje me dia já não é verdade com os modos FP e equivalentes, mas para a compreensão do artigo, fica assim) e isto significa que as cortinas do obturador devem estar completamente abertas nesse momento, caso contrário ficará registada uma banda negra na película. A velocidade de sincronismo de flash que utilizo é de 1/250 (isso varia de modelo para modelo, mas poucas vão acima de 1/500).
A velocidade de obturação deverá ser escolhida para controlar a luz ambiente (luz natural não afectada pelo flash) e desde que nos mantenhamos dentro da escala de utilização do flash podemos utilizar um sem número de opções para controlar o efeito final da imagem.
Desde a mais elementar que é expor correctamente para o fundo, até situações em que podemos alterar esse mesmo fundo - desde torná-lo mais claro a completamente escuro - Noite Americana.
Vamos dar um exemplo: um retrato contraluz!
Vamos imaginar uma pessoa sentada à sombra e com o fundo banhado em Sol! Como se expõe para isto? Se não utilizarmos o flash, temos que expor, ou para a cara da pessoa na sombra - o que vai deixar o fundo completamente queimado, ou para expor bem o fundo a pessoa vai ficar quase em silhueta. A solução? Flash!
Vamos imaginar que o fundo precisa de 1/250 f8 para ficar bem exposto e a cara precisa de 1/30 a f.8. Utilizamos os valores necessários para o fundo e ligamos o flash TTL! O fundo ficará bem exposto e o flash irá dar a luz necessária para iluminar o 1º plano....lembre-se; a velocidade de obturação não influencia a exposição com o flash.
O "ajuste correcto" para compensar varia de máquina para máquina e flash para flash, por isso o melhor é experimentar! Também depende do modo de medição da máquina e do flash!
FLASH COMO LUZ PRINCIPAL E FLASH DE ENCHIMENTO
Flash como luz principal é quando a luz do flash é a principal fonte de iluminação; interiores mal iluminando, noite, etc. A exposição para esta luz é bastante simples; o TTL calcula a exposição tendo em conta a luz reflectida pelo objecto.
Neste modo há toda a vantagem em usar o modo manual e escolher a velocidade de obturação mais alta possível - menor perigo de fotos tremidas, o motor de avanço de disparo do filme é mais rápido, o flash recicla mais depressa.
Flash de enchimento (Fill In Flash) é quando a luz do flash preenche as deficiências da luz principal. O flash de enchimento usa-se para "encher" as sombras provenientes da luz natural.
Descreve-se em termo de rácios: 1:1 quer dizer que a luz do flash é igual à luz principal. Normalmente apresenta resultados um pouco duros e agressivos - não há sombras! Um rácio de 1:2 quer dizer que luz do flash é um stop menos forte que a luz principal e assim sucessivamente.
COMPENSAÇÃO DO FLASH
De qualquer modo não podemos assumir que o conjunto máuina/flash seja infalível; já vimos que o fotometro da máquina pode ser enganado - o cinzento médio, lembram-se?. Devemos ter em conta as compensações necessárias para objecto claros e escuros e fundos claros e escuros...o computador não sabe se estamos s fotografar um gato branco na neve ou um corvo em cima de um monte de carvão à noite. Os objectos claros reflectem masi luz e os negros "absorvem" a luz. Com essa informação e o necessário cuidado para expor o fundo podemos conseguir sempre boas exposições.
PROGRAMAÇÃO DO FLASH
Eis como uso o meu SB-26 com a F90X.
Utilizo sempre a maquina em prioridade à abertura para poder beneficiar de velocidades intermédias e entre 1/250 e 1/20. Caso precise de uma velocidade mais baixa mudo o modo de operação do flash de NORMAL para REAR e as velocidades disponíveis passam a ser entre 1/250 e 30 segundos!!! Outra informação necessário é que no modo NORMAL o flash dispara no inicio da exposição enquanto que em REAR dispara imediatamente antes do fim. Excepto se não precisar de velociades abaixo de 1/19 utilizo o flash em NORMAL.
No flash programo o modo STANDARD TTL. Gosto de ter controlo do que faço e no TTL AUTOMÁTICO é a maquina quem o faz. A partir desse modo posso compensar o que achar necessário para uma exposição "correcta" - isso faz-se utilizando o SEL e as setas para cima e normalmente para baixo - menos exposição. Vario a compensação entre 2/3 e 1 2/3 de stop's.
Quando preciso de utilizar o flash longe do eixo da camara utilizo o cabo SC-17 e se necessário o cabo SC-18 e para unir um segundo flash.
Um acessório que utilizo frequentemente é um "flash X-tender" que é uma simples lente fresnel que se coloca em frente ao flash para converger mais a luz da unidade. Só se pode utilizar com lentes acima de 300mm mas ganho, pelo menos, 2 stop's de luz.
Para mais informação vejam aqui para um excelente artigo da utilização do flash.
Pode ver alguns exemplos aqui